Tempos sombrios e Cerco eletrônico
“Expulsão da aluna da Uniban foi um experimento fascista”; “É preciso ampliar número de câmeras instaladas nas ruas da cidade”Estamos todos pasmos com a abjeta decisão da Uniban de expulsar (decisão essa revogada no fim da tarde de ontem) a aluna Geisy Arruda, de 20 anos, pelo "crime" de ter circulado no campus de São Bernardo de vestido curto, há três semanas.
O desfecho do episódio indica que a cultura da intolerância, do desrespeito à diferença e da demonização de adversários, tão evidentes no atual cenário político, já contamina as relações sociais e nos aproxima abertamente do fascismo.
Todos sabem o que aconteceu. No dia 22 de outubro, Geisy foi assistir às aulas com um vestido insinuante, em nada diferente do que suas colegas já usaram centenas de vezes em situações parecidas.
Por uma razão irrelevante qualquer, a estudante despertou os baixos instintos de uma turba de alunos - inclusive mulheres - e foi alvo de uma tentativa de curra. Deixou o campus escoltada pela polícia, sob uma chuva de insultos.
E o que fez a Uniban? Em vez de punir exemplarmente os alunos envolvidos num ato de linchamento moral e assédio sexual, preferiu punir a vítima.
A nota oficial divulgada no sábado é um documento obsceno. Está lá escrito, com todas as letras, que a direção decidiu expulsar a aluna "por flagrante desrespeito aos princípios éticos, à dignidade acadêmica e à moralidade". Está escrito também que a própria vítima "buscou chamar a atenção", "o que resultou numa reação coletiva de defesa do ambiente escolar".
A universidade, portanto, viu no episódio a oportunidade de ensinar ao mundo a sua doutrina do direito ao estupro e seu pensamento sobre direitos individuais. Pela jurisprudência unibaniana, os "outros", isto é, todos aqueles que, mesmo sem cometer qualquer crime, não seguem a linha da hegemonia dominante, podem, sim, ser perseguidos e expulsos.
Na verdade, Geisy Arruda foi vítima de um experimento social. A Uniban testou em ambiente universitário a renovada teoria do "Ame-o ou Deixe-o" da ditadura militar, ou as regras dos "dois brasis" - o "nosso", do poder, e o "deles", da oposição - expressas com espantosa sinceridade pela ministra Dilma Rousseff, no último fim de semana, em Guarulhos.
Que todo o episódio, até a semana passada, tivesse suscitado tão poucas reações entre feministas oficiais, lideranças estudantis, políticos e autoridades incumbidas de combater crimes sexuais, indica que o experimento fascista foi testado com sucesso.
Cerco eletrônico
A instalação de câmeras de segurança na cidade tem dado bons resultados e por isso o sistema precisa ser ampliado para que atinja o maior número possível de pontos vulneráveis.
De acordo com o balanço apresentado pelo secretário municipal para assuntos de segurança pública, João Dárcio Filho, houve uma redução de 42% no número de roubos no primeiro semestre do ano em relação ao mesmo período de 2008.
Só na fase experimental do projeto, que se estendeu até o final de outubro, foram registradas 178 ocorrências e 28 flagrantes, além de terem sido detidas 41 pessoas nas ruas onde estão instalados os equipamentos.
As autoridades, contudo, precisam estudar detalhadamente o novo quadro delineado a fim de descobrir o que também mudou na forma de atuação dos bandidos.
É necessário que isto seja feito antes da chegada das cerca de 60 novas unidades previstas para serem instaladas até o final do primeiro semestre do próximo ano.
Um mapeamento rigoroso poderá indicar para quais regiões da cidade o crime tende a se deslocar no esforço de driblar a vigilância eletrônica.
Os avanços conseguidos até agora são expressivos, mas a batalha está apenas no começo nessa frente de luta por mais segurança.
