21/10/2009 - 17:35  Atualizado em 21/10/2009 - 17:35

Um vereador a mais é relevante?

“Tem que aumentar varredor de rua e diminuir microfone”

TAKUJO ANTÔNIO MAEDA

Chega de "irrelevantes", e vamos falar do relevante.

Ter um vereador a mais na Câmara é relevante? Tem um moço que tirou dois mil e poucos votos na última eleição e é o primeiro suplente. Está esfregando as mãos porque quer virar o 35º parlamentar em Guarulhos, em legítima defesa, desde que a lei assim o permita. Isso é ou não é relevante?

Depende, diriam os espertalhões. Se eu tivesse no lugar dele, afirmaria categoricamente que é relevante, e bota relevante nisso. Nessas horas há igrejas, terreiros de macumba, então nem se fale, muito relevantes.

Eu iria rezar até debaixo de chuva de canivetes. E faria, inclusive, "figuinha" nos dedos dos pés, nem que fossem enrolados com esparadrapo, fora três batidas na mesa.

Sou pobre, mas besta não sou. Lembraria o nome de tudo que é santo, inventaria pecados só para ir ao confessionário a fim de ficar puro.

O Brasilzão é cheio de nove horas, de mais ou menos, nunca certinho. E cadê a famigerada reforma eleitoral?

Foi feita meia-sola, só para Nicolas Sarkozy ver. Ficha suja, financiamento oficial, domicílio eleitoral, dados patrimoniais, etc. Tudo continua igual.

O voto distrital, que é relevante, esqueceram. Ontem, depois de 17 anos, reencontrei a dekassegui Harumi, que buscou "asilo financeiro" no aconchego de Yukio Hatoyama, e sapecou: "Muita sujeira na rua, lá é limpinho."

O varredor é relevante, mas o prefeito de São Paulo, Kassab acha que não. Tem que aumentar varredor de rua e reduzir microfones.

A chance do PHS de assumir legitimamente uma nova cadeira, não é unanimidade. Uns aplaudem, outros xingam, e os terceiros, muito contrário, querem diminuir.

O pessoal de Brasília é muito gozado, vira e mexe inventam coisas. Uma hora é reforma eleitoral, tributária, política. Dali a pouco é aumento de cadeiras, na maior cara de pau. Nesse vai-vem "o povo que se lixe", como zombou certo deputado.

Antigamente o vereador era apenas voluntariado, não recebia salário.

Depois, quando começou rolar a grana, em muitos eventos e em muitos lugares os ideais relevantes se transformaram num banquete de pizzas e outras iguarias degustadas ao sabor da impunidade. Talvez o dinheiro não seja o vilão, mas a sua consequência: a usura.

Em Guarulhos, o moço que está prestes a se tornar mais um habitante da Casa de Leis local, certamente não é o dinheiro porque este é feito de carne e osso, entretanto, antes mesmo da sua eventual posse, está sendo disputado aos tapas pela situação, oposição e Bom Clima.

Quem tem que disputá-lo é o povo.

Uma vez mais a periferia vai ter que engolir o pecado da usura, porque "nóis" é "arrelevanti" só no mês de outubro.

TAKUJO ANTÔNIO MAEDA é jornalista e membro do Conselho Deliberativo da Associação Okinawa Ken-jin do Brasil.