Iniciativa correta
Guarulhos precisa estar preparada para as Olimpíadas e a Copa de 2014Merece todo apoio a proposta do presidente da Câmara, Alan Neto (PSC), de criar um grupo de trabalho especialmente voltado à preparação de Guarulhos para a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016.
Sede do maior aeroporto da América Latina, Guarulhos é a principal porta de entrada no país e terá papel-chave no sucesso dos dois eventos. Teria de acolher com o máximo conforto possível os milhares de turistas que desembarcarão no Brasil, mas este objetivo ainda está muito distante da realidade.
A precariedade da infraestrutura de apoio aos passageiros já é hoje um grave problema. O Aeroporto não suporta a menor sobrecarga, como se tivesse parado no tempo. É fácil imaginar o que poderá acontecer com o previsível aumento do volume de tráfego nos próximos anos, se as obras de expansão não forem retomadas imediatamente.
Há pontos de estrangulamento de vários tipos. Por exemplo, faltam áreas de estacionamento para automóveis e para aeronaves no desembarque. As pistas precisam ser reformadas. O Terminal Três ainda não saiu do papel.
E há muito a ser feito também fora do Aeroporto. É preciso preparar a rede hoteleira, melhorar a estrutura de transporte urbano, ampliar a qualidade dos serviços prestados à população, etc. O projeto é de amplo espectro.
A proposta de Alan Neto consiste em convocar outras autoridades e instituições de Guarulhos para defender a melhoria das condições da cidade e reafirmar sua vocação de principal centro receptivo do país.
De fato, esse tema exige um mutirão, envolvendo não só a Câmara e a Prefeitura, mas também os deputados federais por Guarulhos, como Janete Pietá (PT) e Jorge Tadeu (DEM), além lideranças empresariais e entidades de classe.
A ideia é que o grupo elabore um relatório detalhado sobre a situação e apresente sugestões para que Guarulhos venha a ser uma referência internacional no calendário da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016.
Há limites
O programa habitacional "Minha Casa, Minha Vida", lançado no início do ano pelo presidente Lula, é um bom exemplo do descasamento entre os objetivos propagandísticos do governo federal e a realidade.
O projeto é bom e está em curso, mas deixou-se contaminar desnecessariamente pela retórica pré-eleitoral que mobiliza todo o Ministério. Segundo os números oficiais, 89 mil casas já foram contratadas (embora nem todas estejam sendo construídas).
Não é um número irrelevante para um programa criado há seis meses. Mas é apenas 8,9% da meta mágica de um milhão de casas até 2010. É óbvio que o governo não conseguirá atingi-la. Aliás, será muito difícil chegar-se à meta para este ano, de 400 mil contratações.
Esses números impressionantes só serão alcançados se as contratações minimizarem os critérios técnicos de viabilidade dos empreendimentos e a capacidade de pagamento do comprador.
O problema está precisamente aí: os publicitários oficiais anunciaram uma meta tão irrealista que, para ser cumprida, terá de comprometer a credibilidade de todo o projeto.
Até mesmo o em geral comedido ministro do Planejamento Paulo Bernardo deixou-se levar pelo entusiasmo pré-eleitoral. "As pessoas continuam protocolando os pedidos e os engenheiros estão fazendo as análises".
Ora, com tanto estímulo oficial, é claro que "as pessoas" continuarão procurando os guichês da Caixa Econômica Federal. Isto não significa que terão suas casas, que obterão o financiamento, ou que a prefeitura de sua cidade terá terrenos disponíveis para construir os conjuntos habitacionais.
Há limites até para se inflar as justas expectativas da população com a compra da casa própria. O programa habitacional do governo é uma iniciativa importante demais para ser deixado nas mãos dos marqueteiros.
