A Opinião dos Leitores do Diário de Guarulhos
"o jornal limitou-se descrever o teor e a publicar as mensagens recebidas, em sua crua literalidade"UNIFESP
Este jornal condena o mesmo tipo de comportamento que pratica, pois censura a dificuldade de argumentação de estudantes que o criticam, e em seguida desfia um rosário de falácias para defender suas posições. Com relação à polêmica dos tais cursos "irrelevantes", o único argumento válido, apresentado pelo jornal, em favor da criação de uma escola de medicina em Guarulhos, apoia-se no fato de a cidade contar com um importante polo farmacêutico. Tal argumento, posto assim de modo isolado, é muito fraco e facilmente questionável. Poder-se-ia perguntar, por exemplo, que interesses corporativos estariam por trás de tais manifestações? Porém, o que mais chama a atenção é o intuito insistente do jornal em desqualificar a faculdade de ciências humanas da Unifesp, campus Guarulhos. Senão vejamos: o autor da nota apresenta o seguinte raciocínio: "Alunos de cursos pré-vestibular exigiram, e a cidade necessita uma faculdade pública de medicina, portanto como justificar (num debate intelectual honesto) que o campus tenha sido inaugurado com os seus irrelevantes cursos de filosofia, ciências sociais, história e pedagogia". Percebam que as premissas não justificam a conclusão da proposição. Ademais, os termos "debate intelectual honesto" ou "irrelevantes" são recursos falaciosos de apelo à força (Argumentum adBaculum) que qualquer estudante de filosofia de 1º ano evita utilizar. Do mesmo modo, na resposta às críticas dos estudantes da Unifesp, o jornal em vez de defender suas posições com argumentos consistentes, novamente insiste em desqualificar o outro lado, com tais alegações: "comentários repletos de xingamentos, erros de português, frases desconexas e ameaças ao jornal", optando pelo recurso ad hominen", ou seja, partindo novamente para o ataque pessoal. Seguindo a linha argumentativa do autor da nota, seria plausível admitir, por exemplo, que este jornal não tem suficiente liberdade editorial, pois abre espaço para anunciantes que comprometem sua idoneidade, tais como o que aparece no alto das páginas do periódico. Ou então que, do mesmo modo é irrelevante um sujeito formar-se em jornalismo para trabalhar no Diário de Guarulhos, dada a importância nacional desta publicação. Tal discussão, ao que parece, resulta da ignorância de partes que não se conhecem. Ou seja, surge de um mal entendido, caso estejamos falando de sentimentos sinceros. Tomo aqui a liberdade de fazer um convite aos jornalistas: que venham ao campus Pimentas para uma visita, a fim de conhecerem o trabalho sério que se faz aqui.
SIDNEY M. RAMOS
ALUNO DO 4° TERMO DO CURSO DE FILOSOFIA DA UNIFESP PIMENTAS
N. da R.- O DG não fez nenhum ataque pessoal. Como isto seria possível, se as manifestações em questão, em sua maioria, eram apócrifas? Como já foi dito, o jornal limitou-se descrever o teor e a publicar as mensagens recebidas, em sua crua literalidade, presumindo que seus autores são responsáveis pelo que escrevem.
SAÚDE
No dia 02/09, a Assembleia Legislativa de São Paulo, por 55 votos a favor e 17 contra, aprovou um projeto de lei de autoria do governador José Serra, que permite aos hospitais públicos da rede estadual serem terceirizados e autorizados a cobrar o atendimento a pacientes que tenham planos de saúde. Agora, pelo projeto aprovado, tanto as OSS (implementadas apenas em novos hospitais), quanto os hospitais estaduais mais antigos, poderão destinar 25% dos leitos e atendimentos a pacientes particulares e com planos de saúde, claro, que com a devida cobrança. Economia para os planos, gastos para o estado.
Imaginem como será o atendimento nesses hospitais, fila para os pagantes e para os que têm convênio, e outra fila para os que necessitam do SUS, e a discriminação no atendimento, com atitude como essas, mais longe ficamos do conceito do respeito aos mais necessitados. Hoje a fila é a mesma. E amanhã?
Hoje se libera 25 % do atendimento. Amanhã, sob o pretexto de maiores investimentos na rede hospitalar, passam a 50%. Até a privatização total. Em vários hospitais do estado existem enormes filas de espera para os serviços públicos de saúde e os gestores desesperadamente buscam vagas para os pacientes do SUS. É um absurdo vender 25% dos leitos públicos para o privado.
VANDERLEI MUNIZ
TABOÃO
ESGOTO
Toda semana vemos o município na mídia televisiva, seja por falta de estrutura na saúde maquiada, bilhete único sem explicacões convincentes, policiamento ineficiente, sobre o qual viramos dados de estatística, e a mais recente mazela: a imprensa descobriu que o Saae cobra taxa indevida de esgoto, tendo cumprido serviços em vários bairros, obrigados pelo Ministério Público, e não terminou. Qual será a explicação da entidade ter ganho licitação, (não convincente) com projeto de lei de utilidade pública em área degradada, manipulando milhões, como mostra o "Diário Oficial". Aguardem, Ministério e Defensoria Pública estão trabalhando.
MAURICIO MOREIRA RIBEIRO
VILA SÃO RAFAEL
