21/09/2009 - 23:01  Atualizado em 22/09/2009 - 11:54

Opinião dos Leitores do Diário de Guarulhos

"se são estudantes e passaram em um vestibular supostamente concorrido têm de saber escrever"

Unifesp - 1

Concordo plenamente com a atitude do jornal de transcrever os e-mails repletos de erros dos estudantes da unidade Guarulhos da Unifesp. Como eles querem ter credibilidade se não conseguem formar sentenças simples? Afinal, se são estudantes e passaram em um vestibular supostamente concorrido têm de saber escrever. Ou esse vestibular não seleciona os melhores? São esses mesmos estudantes que invadem a reitoria da instituição e a depredam (será que eles sabem escrever esta palavra?) sem qualquer punição para seus atos criminosos. O tempo de bons estudantes no país já passou. Hoje, resta o que vemos nas cartas publicadas por este jornal.

Rosangela Nunes
Vila Galvão

UNIFESP-2

Essa troca de farpas que está ocorrendo na Tribuna Livre ocasionada pelo manifesto dos estudantes do dia 7 de setembro, prova que os guarulhenses estão sabendo reivindicar. Nesta cidade, se não fizer barulho para chamar atenção, nada acontece por aqui. Está todo mundo certo, quem manifestou, quem acusou, quem se defendeu, enfim, o erro não está em nenhum deles. Mas na posição de vítima de maus-profissionais desta cidade. Eu acho que, enquanto não melhorar os cursos que já tem, é melhor não pensar em outros, principalmente em se tratando de medicina. Já fui vítima de técnica de mamógrafo, que não sabia lidar com o aparelho, de nutricionista que não sabia a diferença entre jejum e dieta, de esteticista, esta eu fiz questão de saber a faculdade em que estudava - ela trajava uma calça jeans colada, uma bota de cano longo salto fino e alto, uma blusa cacharrel cobrindo todo o pescoço, cabelos lisos soltos e caídos em cima dos olhos e, para complicar ainda mais, ela colocou umas luvas, sendo que o produto que iria manusear era cera quente. Quase falei para ela esquecer o curso e ter mais atitude, agir por conta própria, assim como eu fiz, vindo pra casa terminar o serviço que ela não conseguiu por estar trajada de astronauta. Quero que entenda que não as estou acusando e não quero prejudicá-las. Elas foram tão vítimas quanto eu, pagaram caro o curso, mas não foram qualificadas para suas funções.

Helena Rolon
Jardim Paulista

 

Unifesp-3

Escrevo não porque ache que o editorial com o título "Grata surpresa", publicado no dia 9 de setembro pelo Diário de Guarulhos, mereça, de fato, alguma resposta. Aliás, até a polêmica gratuita por ele levantada, eu desconhecia a ilustre existência do órgão de imprensa. Trata-se, antes, de uma solidarização com os alunos dos cursos de humanas da Universidade Federal de São Paulo, cuja indignação, pecou-se pela forma, parece-me, não apenas altamente compreensível, mas também "coberta de razão".

A localização de unidades que oferecem cursos superiores em universidades públicas pode, de fato, ser passível de um debate intelectual complexo e espinhoso. Duvido, porém, que valha a pena levá-lo com um jornal que declara a irrelevância sumária de cursos universitários em ciências humanas. Além de revelar ignorância completa em questões de educação superior, tal postura atesta um nível intelectual geral e uma "honestidade" no uso da palavra pública que prefiro não comentar. Vamos, pois, diretamente à reação dos alunos. Em artigo recente, com o título "Alunos Reagem a Críticas com Ameaças", o DG queixa-se dos xingamentos, da agressividade e dos erros de português contidos nas mensagens eletrônicas dos estudantes. Evidentemente, a truculência e o uso de palavras de baixo calão são inapropriados para o debate público e tenho alguma certeza de que é isso que os meus colegas a eles ensinam. No entanto, desconfio, e nisso vai algum desagravo, que pelo menos parte dos escribas indignados talvez não se tenha dado conta do grau de publicidade de seus textos. Vale lembrar que o e-mail, enquanto herdeiro eletrônico da carta, pertence ao gênero epistolar, gênero este há muito reconhecido como híbrido no que diz respeito às esferas do privado e do público.

Quanto ao nível de português, pergunto-lhe apenas: se erros neste âmbito preocupam em alunos de universidades públicas, o que dizer de profissionais que são pagos para fazer uso da palavra escrita? Diga-se, de passagem, que o próprio editorial em questão não está livre deles. Para referir apenas algumas poucas incongruências, seria "Dia da independência", como grafa o jornal, ou Dia da Independência? Existe uma "área de biomédica", como quer o jornal, ou seria melhor dizer área biomédica ou então área de biomédicas? Além disso, qual a coerência argumentativa de um jornal que, ao mesmo tempo que reclama do desconhecimento da língua portuguesa e da incapacidade de tecer uma argumentação racional por parte dos universitários, considere irrelevantes os cursos da área de ciências humanas? O jornalismo impresso, salvo raríssimas exceções, tem há muito tempo telhado de vidro no que diz respeito ao bom uso da palavra escrita, e a qualidade vem caindo ano após ano. Será possível negar "num debate intelectual honesto" que estas mazelas, para além de elucidar os problemas educacionais do País, têm correlação direta com a ordem econômica de que o Diário de Guarulhos parece carregar a bandeira?

Markus Lasch
Professor de Teoria Literária do Curso de Letras da UniFESP
Campus Guarulhos