24/07/2014 às 20:47 - Atualizado em 08/08/2014 às 01:54

Nesta semana, saiu pesquisa Ibope dando os índices de intenção de voto para presidente da República: Dilma 38%, Aécio 22%, Campos 8%. E, em havendo segundo turno, Dilma com 41% venceria Aécio (33%) e Campos (29%).
A pesquisa não diverge muito do Datafolha da semana passada, exceto no segundo turno, quando a vitória de Dilma seria mais apertada.
Nem diverge muito de pesquisas recentes de outros institutos.
Dia 19 de agosto vai começar o horário eleitoral nas TVs e rádios. Cada candidato e cada partido vai divulgar o que fez e o que se propõe a fazer, e as críticas ao desempenho ou propostas dos outros. O grande público, agora desligado do assunto, vai prestar atenção, debater no seu meio social, e decidir-se.
Dilma será a mais beneficiada, pois tem a apresentar a força dos novos empregos criados (mais de 1 milhão de novos empregos por ano), dos salários valorizados acima da inflação, dos programas sociais de Lula mantidos e ampliados.
E sobre ela não há razões objetivas para prosperarem denúncias de corrupção. Além disso, terá na TV e rádio três vezes o tempo de Aécio e dez vezes o tempo de Campos.
É inegável porém que os efeitos da crise internacional que resultam em baixo crescimento do País (regra geral no mundo de hoje), o deslocamento das indústrias do Ocidente para a Ásia, as dificuldades de caixa do governo perante exigências maiores de cidadania em face dos avanços da consciência popular, dão bom combustível à oposição. E esta tem a vantagem da simpatia da grande mídia.
Os três principais concorrentes são políticos já de carreira longa nos cargos públicos.
Aécio e Campos, que se referenciam em seus avôs, Tancredo Neves e Miguel Arraes, têm até mais tradição na política do que Dilma.
Por isso, nenhum deles terá o benefício de aparecer como novidade neste quesito.
Além de que os candidatos oposicionistas estão penando para encontrar bandeiras de largo apelo popular.
Os melhores índices de aprovação de Dilma estão no Nordeste. Os piores, aqui no Estado de São Paulo.
A maior intenção de voto dela ocorre entre as classes populares. A menor, entre os mais ricos. E nas faixas etárias, entre os mais jovens, que também não se inclinam para Aécio e Campos.
Cada conjuntura eleitoral é diferente da outra. Mas ajuda nosso raciocínio, fazendo as devidas diferenças, saber que: em julho de 1998, Fernando Henrique, candidato à reeleição, tinha 40% das intenções de voto; em julho de 2006, Lula, candidato à reeleição, tinha 44% das intenções, ambos com um pouco mais, mas não muito distantes das intenções atuais para Dilma.

Elói Pietá  é ex-prefeito de Guarulhos.

17/07/2014 às 10:12 - Atualizado em 17/07/2014 às 10:12

“Interesse do grande público pelas eleições só virá à tona a partir de 19 de agosto, quando começa o horário eleitoral nas TVs e rádios”

Elói Pietá

Desde o dia 6 deste mês é permitida a campanha eleitoral para as eleições de 5 de outubro. O interesse do grande público pelas eleições só virá à tona a partir de 19 de agosto, quando começa o horário eleitoral nas TVs e rádios.

Alguns dirão com desagrado: “Mais uma campanha eleitoral!”.

Respondo que este é um dos preços da democracia. Os países governados por ditaduras podem ter desenvolvimento e estabilidade por algum tempo, mas, depois, a saída da ditadura é fatal e dolorosa.

Os exemplos mais recentes do trauma das tentativas de volta da democracia nós encontramos no mundo árabe. A começar pelo Egito, que derrubou a ditadura de 40 anos de Mubarak e das Forças Armadas, e não conseguiu substituí-la pela democracia.

Elegeu um presidente que, um ano após, foi deposto pelos militares. Estes agora fizeram uma eleição de mentirinha, para justificar-se no poder mais uma vez. Tudo às custas de imensos conflitos, milhares de mortos e de um desastre econômico.

Outro exemplo é a Líbia que, após a guerra civil que derrubou o ditador Kadafi, de 30 anos de poder, não consegue sair do caos de grupos armados beligerando entre si. Ou a Síria, onde o longo período ditatorial de Assad estourou com uma sangrenta guerra civil que dura vários anos.

Portanto, é melhor ter os dissabores da democracia do que as tragédias das ditaduras.

Mas alguém poderia argumentar que, pelo menos, se fizesse a coincidência das eleições, com todas no mesmo dia e ano, eleições de presidente, governadores, prefeitos, senadores, deputados federais e estaduais, vereadores. Assim, as teríamos só de quatro em quatro ou de cinco em cinco anos.

No Congresso, há várias emendas constitucionais tramitando neste sentido e vários partidos as apoiam.

De minha parte, acho inadequada esta proposta. Uma coisa é o povo discutir e decidir sobre rumos e governantes do País e do Estado, como o faremos agora em outubro. Outra coisa é discutir e decidir sobre os rumos e os nomes do governo da cidade.
O governo central incide sobre economia, emprego, salários, programas sociais, legislação civil, trabalhista e penal, Forças Armadas e política externa.

Os governos estaduais repercutem sobre segurança, educação intermediária, infraestrutura intermunicipal (como é o caso da produção de água potável). Estes e outros são temas de grande incidência sobre a vida das pessoas e que merecem o debate eleitoral e a decisão da sociedade.

Evidentemente, assim penso porque entendo as eleições não apenas como mudanças de pessoas no governo.
Entendo-as como decisão popular sobre alternativas diferentes de vida social e econômica, representadas por pessoas e partidos, com suas trajetórias e programas.

09/07/2014 às 19:22 - Atualizado em 09/07/2014 às 19:22

“A tristeza nos faz chorar; na vergonha, queremos nos esconder”

ELÓI PIETÁ

O povo brasileiro sentiu vergonha ante o resultado do jogo Brasil-Alemanha. A vergonha é um sentimento diferente da tristeza.
Tristeza é um estado de opressão da alma, que chega pelas mais diversas razões, tais como: a morte de um ente querido, a separação de um casal, a ausência de um filho, o insucesso num objetivo definido, a derrota numa guerra, a derrota no futebol.
A vergonha, por sua vez, gera também tristeza. Mas é a consciência de um fracasso fruto de atitudes erradas, inaceitáveis perante a comunidade, e perante as expectativas que ela tem de nós.
A tristeza nos faz chorar. Na vergonha, queremos nos esconder, ficar longe dos olhares dos outros.
O estado de alma do Brasil perante o mundo, ao perder por 7 a 1 da Alemanha, é de vergonha.
Como era de vergonha o estado de alma dos franceses quando Hitler, em apenas alguns dias, derrotou o exército francês na Segunda Guerra Mundial, e desfilou pessoalmente pelas ruas de Paris ocupada.
Só anos depois, a resistência francesa conseguiu, com a ajuda dos Aliados, infligir dura derrota à Alemanha, compensando então a vergonha em que tinha sido lançada.
Há esperança para o futebol brasileiro dar a volta por cima, desde que mude muito, dentro e fora de campo. Não mais nesta Copa, mesmo que obtenha o terceiro lugar, pois a crise do futebol brasileiro é enorme. Ele está completamente mercantilizado, dominado por especialistas em ganhar dinheiro com as emoções populares. Ele está defasado, sob domínio por décadas dos mesmos grupos.
Ricardo Teixeira, José Maria Marin, Marco Polo del Nero são apenas alguns nomes destes grupos fechados. Eles definem as regras, escolhem os técnicos, favorecem os jogadores que lhes interessam, submetem-se à Globo para o horário das partidas, enchem-se de dívidas impagáveis, e muito mais.
O goleiro Júlio César disse, após a partida, que não dava para explicar o inexplicável. Não poderíamos esperar dele clareza naquele momento de emoção. Mas, o resultado é explicável.
De um lado, uma seleção brasileira pouco preparada (17 dias apenas antes da Copa juntando jogadores dispersos pelo mundo), com escalação e táticas erradas frente a adversário conhecido que já jogara várias partidas, e que se perdeu perplexa no jogo.
De outro lado, uma seleção alemã com longo tempo de preparo, com espírito de conjunto bem articulado, com táticas acertadas, e com aproveitamento inteligente da imprudência do adversário.
Ainda temos um jogo pela frente. Mas a atitude mais digna do principal responsável pelo desastre, o técnico Felipe Scolari, deveria ser o pedido de demissão, sem que isso significasse deixar de dirigir o último jogo.

Eloi Pietá é ex-prefeito de Guarulhos

02/07/2014 às 18:28 - Atualizado em 02/07/2014 às 18:28

ELÓI PIETÁ

Na segunda-feira (30), a Prefeitura e o Saae puseram em funcionamento a terceira grande estação de tratamento de esgotos em Guarulhos, a ETE Várzea do Palácio.
O nome de sua localização é pomposo. Mas o governo estadual transformou o local, na década passada, em Várzea dos Presídios, quando desativou o presídio do Carandiru na Capital.
Hoje, nas cinco cadeias ali construídas há quase 9 mil presos, número semelhante ao do Carandiru quando do massacre em 1992. A ETE Várzea do Palácio fica entre dois destes presídios.
A localização desta nova estação é estratégica. Próxima ao Rio Tietê, ligada a um coletor tronco construído ao longo da Marginal do Baquirivu, ela tem condições de tratar os esgotos captados na região do Taboão, do Parque Cecap, e proximidades. Ela completa as estações construídas nos últimos quatro anos para tratar os esgotos do São João e de Bonsucesso. E mais adiante haverá a ligação entre a região dos Pimentas e a de Cumbica com a estação de tratamento da Sabesp em São Miguel, do outro lado do Tietê.
A equação daquelas grandes fatias da cidade vai se completar com a ampliação prevista das três estações e com novas estações menores, do Jd. Fortaleza e do Cabuçu.
Estes avanços só foram e serão possíveis porque durante o governo do presidente Lula a política federal de saneamento mudou. Antes disso, o governo federal se negava a financiar a expansão dos sistemas públicos de abastecimento de água e tratamento de esgotos.
A intenção era o enforcamento do sistema público para pressionar a privatização destes serviços, como o fizeram na época a Argentina e vários países, seguindo a chamada política neoliberal.
Ainda durante o governo Lula, quando eu era prefeito, conseguimos o financiamento federal para a expansão do sistema Saae de distribuição e produção de água, e para o inédito tratamento de esgotos.
A administração do prefeito Almeida e da presidenta Dilma avançaram bastante para tornar realidade estes avanços. Mas Guarulhos ainda precisa de muito mais, que será equacionado com a Parceria Público Privada já aprovada pela Câmara e licitada pela Prefeitura.
Através dela, entrará capital privado na expansão do sistema para outros bairros e na expansão do sistema atual.
Obras de tal complexidade e custo exigiram planejamento, busca de empréstimos federais, novas parcerias, dedicação constante, persistência, continuidade. O tempo de realização é o longo prazo. Felizmente, em boa parte este longo prazo já foi trilhado e tem mostrado seus resultados, que só com o passar do tempo serão sentidos pela população.

Eloi Pietá é ex-prefeito de Guarulhos

25/06/2014 às 16:36 - Atualizado em 25/06/2014 às 16:36

ELÓI PIETÁ

Tenho escrito em reação à campanha política anti-Copa, nunca antes vista, que foi promovida pela grande mídia privada brasileira contra o Governo Federal para prejudicá-lo nas eleições de outubro.
Agora vejo um balanço preliminar do Ministério do Trabalho que afirma a Copa ter gerado perto de 1 milhão de novos empregos, seja nas obras dos estádios, aeroportos, vias públicas, sistemas e empresas de transportes, hotéis e outros serviços de turismo.
Não sei quantos ficarão como empregos permanentes. O Ministério afirma algo em torno de 700 mil, mas não tive elementos para confirmar isso.
A Embratur calcula que, durante a Copa, as atividades relacionadas ao evento movimentarão perto de R$ 7 bilhões em turismo, quase o preço gasto nos estádios (R$ 8 bilhões), estes bancados pelos governos dos estados, clubes e empreiteiras, em boa parte com empréstimos do BNDES.
O efeito econômico em termos de turismo futuro será ampliado pela divulgação do Brasil. Neste sentido, foi acertada a idéia de fazer a Copa em 12 capitais brasileiras, apresentando o País da Amazônia, do Nordeste, do Centro-Oeste, do Sudeste e do Sul, com suas paisagens diferentes, suas temperaturas diferentes, suas características diversas.
É claro que, se tudo prosseguir na paz havida até aqui, a imagem que ficará do Brasil será de um povo hospitaleiro e de um país bonito e convidativo. Por sinal, está muito bonita a paisagem colorida das torcidas em estádios bem resolvidos, alguns de bela arquitetura, como os de Manaus, de Brasília, de Porto Alegre, e os clássicos Maracanã, Mineirão e Fonte Nova.
A Copa também provocou uma corrida contra o tempo para obras de infraestrutura permanentes há muito demandadas: vias públicas, viadutos, transportes de alta capacidade, ampliação de aeroportos (como o nosso aqui de Guarulhos e o de Brasília, que ficou belíssimo, inclusive para aquele deputado do PSDB que, na ala VIP do Itaquerão, vociferava palavrões contra a presidenta).
É inegável que a Copa apresenta problemas, por exigências comerciais e descabidas da Fifa, o suprassumo dos cartolas no futebol mundial, que não devem servir de exemplo de grandeza e honestidade para ninguém.
A direção da Fifa, antes da Copa, fez coro com a grande mídia privada contra a capacidade do Brasil. Estão tendo agora de engolir o que disseram.
É inegável também que fazer grandes obras não é fácil: para o setor público, pela complexidade de grandes obras e pelas montanhas de burocracia que leis e instituições, uma em cima da outra, foram criando; para o setor privado, no mínimo, pelo primeiro motivo. Mas o saldo tem sido positivo, e prepara bem o Brasil para receber as Olimpíadas em 2016.

Eloi Pietá é ex-prefeito de Guarulhos

18/06/2014 às 16:28 - Atualizado em 18/06/2014 às 16:28

ELÓI PIETA

Cerca de 3 bilhões de pessoas no mundo estão de alguma forma acompanhando os jogos da Copa do Mundo no Brasil.
Assisti nestes dias na BBC, canal de TV que concorre no mundo com a CNN, uma reportagem sobre esta Copa.
Ela mostrava as 12 cidades-sede dos jogos. Foi uma reportagem positiva sobre o Brasil.
E, vendo na TV brasileira alguns jogos, constatei que nossos estádios estão bonitos, o que colabora também para uma boa imagem do Brasil.
É bom para um país ser conhecido. As vantagens disso são muito grandes.
Recentemente, a Rússia, gastando muito mais do que o Brasil agora, realizou as Olimpíadas de Inverno, e saiu fortalecida no mundo com o sucesso delas.
O aparato de segurança tem funcionado bem. Ele é preventivo e necessário.
Em face da extrema violência que ocorre hoje em muitos países, os nossos black-blocs seriam considerados até seres pacíficos. Mas eles devem ser contidos, pois a violência não contida tende a subir numa perigosa escalada.
A Copa no Brasil foi politizada pela grande mídia nacional. Ficou evidente uma sistemática campanha para o desgaste político do Governo Federal desde quando começaram as obras dos estádios. Isto contaminou também as pequenas mídias e a internet. Todos querendo aproveitar para elevar o desgaste político-eleitoral pretendido.
Isto ficou evidente na manifestação política das patricinhas e patricinhos da ala VIP do Itaquerão, quando dirigiram um coro de palavrões contra a presidenta na abertura da Copa.
A grande mídia jogou contra a Copa. Manipulou a informação. Escondeu que o Governo Federal não pôs dinheiro a fundo perdido em estádios.
Ele emprestou, através de bancos oficiais, a clubes, empreiteiras e governos locais, cujos gastos totais foram de R$ 8 bilhões.
Impressionante neste aspecto a informação da presidenta Dilma de que, desde o início das obras dos estádios para a Copa até hoje, o dinheiro investido pelos poderes públicos em educação e saúde no mesmo período foi de R$ 1,7 trilhão.
É inconsistente o argumento contra a Copa de que os R$ 8 bilhões dos estádios solucionariam problemas de educação e saúde.
A grande mídia empresarial fez da Copa uma oportunidade de ataque eleitoral ao atual governo, que nunca lhe agradou. Ela não se preocupou com a imagem do Brasil no mundo. Voltou-se para a disputa do poder nacional.
Agora, a Globo deu uma baixada de bola, pois como comprou os direitos de transmissão dos jogos ela precisa ganhar audiência e dinheiro.
Neste caso, falou mais alto a sanha do dinheiro às custas de nós que somos vendidos na sua publicidade.
Apesar da torcida contra, a Copa está mostrando que será boa para o Brasil.

Eloi Pietá é ex-prefeito de Guarulhos

05/06/2014 às 09:47 - Atualizado em 05/06/2014 às 09:47

“O futebol e o sentimento nacional se juntarão nesta competição assistida no mundo inteiro”

Elói Pietá

Desde os longínquos Austrália, Japão, Coréia do Sul, Rússia, até os vizinhos da América do Sul, como a Argentina e Uruguai, a Copa do Mundo vai atrair as atenções dos povos. E tem ainda os fortes países da Europa e da América do Norte, a presença da América Central e de países da África e do Oriente Médio.

O futebol e o sentimento nacional se juntarão nesta competição assistida no mundo inteiro.

A inserção positiva na economia mundial tem também a ver com o grau de conhecimento de um país no mundo. Por isso, as Copas do Mundo e as Olimpíadas são bastante disputadas por muitos, que querem tê-la em seu território. Elas trazem vantagens, mesmo que não imediatas.

A África do Sul, que sediou a última Copa, se consolidou na mente mundial como o principal país do continente africano. Não só para o turismo. Mas também para os negócios comerciais.

Para que um país tenha a vantagem de sediar Copa ou Olimpíada tem de fazer concessões à Fifa e ao Comitê Olímpico, que decidem e conduzem estes dois megaeventos mundiais.

Se você entra no concurso, ou segue as regras dele ou desiste.

Hoje, o Brasil é a sexta economia do mundo. Tem problemas de desigualdade social imensos. Mas bem menores do que os problemas de desigualdade da África inteira e da maior parte dos países. Hoje, a renda per capita do brasileiro é a mais alta de nossa história. Tem problemas de infraestrutura. Mas sua infraestrutura é mais poderosa do que a dos outros países da América Latina. Tem problemas na qualidade e abrangência dos serviços públicos. Mas tem avançado sempre na oferta pública de educação e saúde.

Hoje, mais da metade da força de trabalho brasileira tem educação de grau médio, a mortalidade infantil caiu intensamente, e a média de anos de vida da população vem aumentando. Vamos esperar a perfeição para ter uma Copa ou Olimpíada?

Há razões de economia, mas também razões de geopolítica que aconselham sediar uma Copa.

Quando o governo Lula disputou sediar a Copa e as Olimpíadas, o fez também para mostrar internamente o quanto são importantes as relações internacionais para a vida nacional.

Mas a luta política de quem não gosta da linha interna e externa dos governos Lula e Dilma criou uma poderosa campanha anti-Copa, que dura anos. Ela está voltada para as eleições, contra o Governo Federal, que emprestou dinheiro do BNDES para a construção de estádios, bancados por estados, municípios e clubes, em parcerias com empreiteiras.

Outros aproveitam o momento para suas reivindicações sociais ou corporativas. Outros se comprazem em olhar o próprio umbigo, sem dar qualquer importância à imagem de nosso país no mundo.

29/05/2014 às 09:34 - Atualizado em 29/05/2014 às 09:34

Sediar uma Copa é um ganho para o País. Infelizmente, uma parte minoritária do nosso povo não entende assim

Elói Pietá

A Copa do Mundo tem grande importância para a divulgação no mundo inteiro do país sede. O caso mais recente foi a África do Sul.

Ela, que é o país mais desenvolvido e rico da África, sediou a última Copa e projetou no exterior uma imagem de seu povo, o desenvolvimento do país, e sua belíssima natureza.

Assim aconteceu também em 2006 com o Japão e a Coréia do Sul. Agora é a vez do Brasil.

Sediar uma Copa é um ganho para o País. Infelizmente, uma parte minoritária do nosso povo não entende assim.

O espírito provinciano não ocorre apenas nas pequenas cidades quando as pessoas dedicam seu pensamento e seu tempo só aos assuntos locais. Ele atinge também muita gente no País, quando parte de seus habitantes se fecha para o mundo, olhando só para a vida interna do país, esquecendo ou desconhecendo a importância de sua inserção mundial.

Esta Copa está sendo disputada por 32 países. Será acompanhada por mais de um bilhão de pessoas nos cinco continentes. Nosso povo, nossos costumes, nosso progresso, nossa natureza, e não apenas nossos estádios, serão apresentados ao mundo.

Em todos os países sede, mesmo os mais desenvolvidos, a Copa os fez passar por mudanças em sua infraestrutura esportiva, hoteleira, turística, viária, de transpostes coletivos, de segurança, e de outros aspectos urbanos.

Elas permaneceram depois, para fruição de seu povo. O mesmo está acontecendo aqui no Brasil. Não é por acaso que, depois de tanto tempo, agora foi feito o terceiro terminal de nosso aeroporto.

Não é por acaso que o antigo sonho corintiano de ter um grande estádio agora se realiza, ou que os mineiros têm um novo Mineirão, os baianos um revivido Fonte Nova, os cariocas um novo Maracanã, os gaúchos o agora belo Beira Rio, e assim por diante nas outras cidades-sede.

As pessoas dizem: mas temos problemas na saúde pública, na infraestrutura, na falta de moradias, de creches, etc. Sem dúvida, os temos desde que nos conhecemos por país. Estamos avançando na resolução deles, temos diminuído a pobreza, temos modernizado nossas cidades, ampliado o acesso à educação, expandido a rede de saúde, de saneamento, de moradias populares, de crescimento do emprego e da renda, de infraestrutura.

Isto não quer dizer que devemos nos fechar em nós mesmos.

O mundo de hoje é de intercâmbio internacional entre economias, culturas, influências, comércio, serviços. Para ter sucesso nisso tudo, é muito importante ser conhecido e ter uma boa imagem lá fora.

Os Estados Unidos todo dia se apresentam para o mundo, e assim difundem sua imagem, sua cultura, sua economia.

Aproveitemos a Copa do Mundo para isso, agora, e as Olimpíadas em 2016. São ganhos importantes para o Brasil.

22/05/2014 às 09:37 - Atualizado em 22/05/2014 às 09:37

O intuito da grande imprensa é claro: derrotá-la nas eleições deste ano

Elói Pietá

Acompanhei de perto, prefeito que fui, a longa história do Terminal 3 do Aeroporto de Guarulhos, inaugurado nesta terça-feira.
Por esta razão, e por solidariedade à presidenta Dilma, compareci à inauguração.

Solidariedade a ela, que vem sendo dura e sistematicamente atacada pela grande mídia monopolista brasileira, que age claramente como um partido político de oposição.

A cada palavra dela a mídia contrapõe algo de negativo.

Por exemplo, quando ela declarou na segunda-feira que os aeroportos brasileiros estão preparados para a Copa, a “Folha de S. Paulo” colocou, ao lado das declarações, foto dos efeitos de um temporal que fez entrar água no estacionamento do Aeroporto de Manaus.

O intuito da grande imprensa é claro: derrotá-la nas eleições deste ano. Para saber a serviço de quem, basta ver a condescendência com que tal mídia trata os grandes bancos privados, as grandes corporações empresariais, as elites ricas, os interesses norte-americanos.

A rapidez com que foi feito o Terminal 3 do Aeroporto de Guarulhos mostra como foi, ao longo do tempo, sendo montada uma conspiração contra as ações do Estado brasileiro. Precisou conceder o Aeroporto à iniciativa privada para as coisas, há tanto prometidas, acontecerem.

A GRU Airport é dirigida pelo setor privado. A estatal a Infraero tem 49% das ações, sem o poder de mando.

A GRU Airport, com grandes empréstimos a juros subsidiados obtidos no nosso banco estatal, o BNDES, conseguiu a façanha de fazer, em apenas 18 meses, aquele enorme e belo Terminal 3, seus acessos, o prédio de estacionamento, novos pátios de taxiamento das aeronaves.

Empregou na obra, ao longo do tempo, 20 mil trabalhadores. Por isso, houve uma migração de trabalhadores para Guarulhos, inclusive do Nordeste.

Casas foram alugadas para abrigar dezenas de pessoas no entorno do Aeroporto.

Com as terríveis normas mal-intencionadas da burocracia, que fazem um cerco às instituições públicas no Brasil, seria impossível à estatal Infraero fazer estas obras neste tempo e nestas condições. Bem que no passado havia tentado.

Mas o Tribunal de Contas da União não deixava. Chegou a paralisar a necessária renovação das pistas de pouso.

As ameaças de processo contra os gestores públicos no Brasil os inibe. As regras arcaicas e pesadas para concorrência pública; as chicanas judiciais que lhes seguem e atrapalham; o rigor absoluto do Ministério Público contra qualquer outro agente público, sempre por eles suspeito; a perseguição da mídia contra os gestores públicos; tudo isso os emperra e inibe.

Ao observador atento, não resta dúvida: há uma ampla conspiração histórica contra o serviço público a favor do capital privado.

15/05/2014 às 08:25 - Atualizado em 15/05/2014 às 08:25

Mas o Governo do Estado preferiu confiar na regularidade do atendimento celestial de São Pedro

Elói Pietá

Pela primeira vez na história do Sistema Cantareira de produção e abastecimento de água, será utilizado o chamado “volume morto” da represa.

Pelas declarações do governador Alckmin: “se não tiver nenhum fato superveniente, nós chegamos à próxima estação das chuvas”.

Ele provavelmente quer dizer: se não der certo, não será por culpa de seu governo. O culpado será ‘o outro’, o tal de ‘fato superveniente’.

Quem seria o fato superveniente? O prolongamento da estiagem, talvez. A falta de economia de água pelo povo, talvez. Alguma medida protetiva do abastecimento futuro tomada pela Agência Nacional de Águas, talvez. Alguma demonstração de independência dos técnicos do Departamento de Água e Energia Elétrica do Estado, talvez.

Alguma liminar obtida pelo Ministério Público, talvez. Os únicos que não seriam culpados, na voz do governador, seriam seu próprio governo e a Sabesp, companhia estadual.

Justamente estes é que deveriam ter tomado as providências ao longo dos últimos anos. Bastou a estiagem na estação das chuvas deste ano para chegar a crise. Ela já era prenunciada há muito tempo.

Mas o Governo do Estado preferiu confiar na regularidade do atendimento celestial de São Pedro. Porém, ninguém aos céus pediu licença para mudar o mundo, para o avanço da população sobre as reservas de mata, para o crescimento populacional, para a ampliação da produção exigindo mais água, para o aumento do consumo familiar. A água potável foi ficando escassa, e todos sabiam disso.

Como já disse aqui, a maior parte da água da capital e das grandes cidades da Região Metropolitana de São Paulo e de Campinas tem de ser importada de outros municípios, grandes em território, mas com vastas reservas ambientais.

Por ser intermunicipal este sistema, a responsabilidade de produção por atacado da água é do Governo do Estado, por meio da Sabesp. Ele deveria ter sido mais previdente, investir mais nesta área, organizar soluções com mais antecedência.

O uso do chamado volume morto tem o risco de uma crise de grandes proporções, se a estiagem deste ano se repetir no próximo (o que não é impossível). Tendo então usado a reserva do volume morto, restará uma área seca bem maior dentro das represas.

Este solo estará sedento para absorver e enterrar a água das chuvas. Por isso é que os técnicos dizem que então não bastará chover, pois a recuperação das represas pode durar vários anos.

Não é verdadeira a afirmação do governador de que não há racionamento. A água para Guarulhos vem sendo racionada, com 10% a menos do volume diário fornecido pela Sabesp. Estamos sendo tratados como cidadãos de menos direitos, só porque nosso sistema de distribuição é municipal.

Isto não é justo.

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