12/11/2014 às 00:00 - Atualizado em 12/11/2014 às 17:19

Devanildo Damião – devanildo@gmail.com

A abundância de átomos de hidrogênio no Sol (cerca de 92% da composição) é o desencadeador dos processos de fusão nuclear, nos quais, devido à pressão, eles são fundidos num único átomo de hélio, sendo que o excedente de energia é transformada em luz e calor.

A cada segundo, 4,7 bilhões de toneladas da massa do Sol são convertidas em energia.
Dado o seu posicionamento em torno do Sol, a Terra recebe essa enorme quantidade de calor, o que, de certa forma, possibilita a geração de outras matrizes energéticas, como a energia hidrelétrica, eólica, da biomassa e dos combustíveis fósseis, por exemplo.

Estas matrizes são formas indiretas de energia solar porque dependem, de alguma forma, do Sol para existir.

O Brasil é privilegiado, pois recebe uma grande quantidade de energia solar, portanto, com condições de desenvolver vantagens competitivas sustentáveis.

Todavia, possui uma matriz energética concentrada nas hidrelétricas, a qual é complementada pelas termelétricas.

Esse modelo é arriscado pela dependência excessiva das chuvas e da insegurança em relação ao fornecimento em períodos de crescimento da economia.

Atualmente, com crescimento do PIB próximo a 1%, já temos riscos.

Portanto, a energia do Sol é subutilizada e desperdiçada. Todos os dias, a grande incidência da luz e calor que incidem sobre o teto das nossas casas desaparece, sem nenhuma apropriação pela população, ao contrário do que já acontece em países como a Alemanha.

E quais os passos para aproveitamento desta fonte? A forma mais difundida de geração de energia através do Sol é a geração de energia térmica, por meio de concentradores ou coletores solares para aquecimento de água e posterior utilização em chuveiros.

Também existem as células fotovoltaicas, nas quais os fótons da luz excitam os elétrons, das placas, gerando eletricidade. Quanto maior a intensidade do sol, maior o fluxo de eletricidade.

O material mais comumente utilizado é o silício, abundante na face da Terra e com grande potencial de condutividade.

A eletricidade gerada pelas células em corrente contínua pode ser imediatamente usada, ou armazenada em baterias.

Para que estas fontes sejam utilizadas, elas precisam oferecer benefícios econômicos e sociais, e o Governo tem o papel de induzir este processo, quer seja por meio da facilitação ao acesso às placas fotovoltaicas, que seja por meio da compra dos excedentes individuais que tragam retorno ao investimento realizado.

Devanildo Damião é mestre e doutor em gestão tecnológica – USP; coordenador do Núcleo PGT-USP e Coordenador do Núcleo Acadêmico e do Núcleo do Parque Tecnológico da Agende.

05/11/2014 às 00:00 - Atualizado em 05/11/2014 às 14:56

DEVANILDO DAMIÃO
devanildo@gmail.com

No estuda da gestão da inovação, é fundamental diferenciar os conceitos de inovação empurrada e inovação puxada pelo mercado.

É preciso também qualificar a relação entre os dois conceitos e os tipos de estratégias a seguir.

Na inovação puxada pelo mercado, a principal estratégia envolve a leitura dos sinais emitidos pelo nicho de atuação, derivando daí estratégias de observação, pesquisa e entrevistas.

Nas inovações empurradas pelo mercado, o foco inicial está relacionado a tecnologia, ficando para um momento posterior a definição de estratégias para o mercado.

Esse preâmbulo serve para a discussão do último número da “Revista Análise Guarulhos”, nº 15, no qual é investigada a indústria farmacêutica no município.

Esta indústria tem elos bem definidos, que envolvem intensa aplicação de ciência, e são dominados por países avançados como Alemanha e Estados Unidos, nos quais moléculas são estudadas com a finalidade de se obter princípios ativos de medicamentos.

Esta etapa do processo envolve pesados investimentos e grupos de pesquisa. São estes grupos que desenvolvem os fármacos, ou seja, os princípios ativos dos medicamentos, que na sua grande maioria também são importados pelo Brasil.

O Brasil atua de forma mais significativa na fabricação de medicamentos, comercialização e logística de distribuição para o mercado interno. É este o perfil do segmento na nossa cidade.

Cabe lembrar que o segmento é altamente relevante para o Estado de São Paulo e para o País, sendo as disciplinas de marketing e logística uma vantagem estratégica muito importante.

No aprofundamento do perfil dos profissionais atuantes neste segmento na cidade, prevalecem as atividades voltadas à operação e, sobretudo, de mercado, correspondendo a mais de 50% da massa salarial do segmento, conforme tabela abaixo, com dados do Ministério do Trabalho.

Tabela Devanildo

Esta realidade, permite observar novas oportunidades que podem se trabalhadas e aproveitadas pela cidade, sobretudo, com a qualificação da base técnica e científica neste segmento.

O Parque Tecnológico de Guarulhos será beneficiado pelo intenso trabalho que está sendo realizado neste segmento para dotar a cidade de condições privilegiadas para liderar este setor de alta intensidade tecnológica.

DEVANILDO DAMIÃO é mestre e doutor em gestão tecnológica – USP; coordenador do Núcleo PGT-USP e Coordenador do Núcleo Acadêmico e do Núcleo do Parque Tecnológico da Agende.

29/10/2014 às 00:00 - Atualizado em 29/10/2014 às 09:11

Devanildo Damião – devanildo@gmail.com

No caminho de apontar as principais tendências tecnológicas, sobressaem-se a computação em nuvem, a internet das coisas e as cidades inteligentes.
O conceito de computação de nuvem refere-se à intensa utilização de dados com base em plataformas virtuais, acessadas por meio da internet, ou seja, não instalados na própria máquina. Acontece, por exemplo, quando deixamos os e-mails armazenados no próprio provedor e os acessamos de qualquer local, diferente de quando os deixamos no software do nosso computador.
Os custos relacionados a aquisição de hardwares e softwares são reduzidos drasticamente, assim como os custos de manutenção de equipamentos e atualização de softwares. A lógica é transitar da lógica física, para a virtual. O usuário paga unicamente pelo serviço, e não pelos produtos.
O cerne da Internet das Coisas baseia-se no conceito de redes e interconectividade entre objetos, com o propósito de reunir redes de centenas de bilhões que poderão interoperar entre si e também com base de dados como data centers e nuvens computacionais. Assim, instrumentos como sensores e medidores tornam-se elementos ativos de geração de dados, interligando os objetos com o mundo digital e formatando novos sistemas de informação.
O grande lance das Internet das Coisas é que podemos adicionar inteligência à infraestrutura física que molda nossa sociedade. Para ilustar, um poste instrumentado pode se tornar uma fonte de informações para a mobilidade urbana, caso seja conectado a sensores que captem a movimentação de veículos e pessoas em determinado local, ou uma interessante fonte de economia de energia quando ligado a um controlador de intensidade de luz.
Antes de 2020, estima-se que teremos mais de 25 bilhões de dispositivos conectados a redes para gerar informações, incluindo automóveis que permitem monitorar o tráfego, equipamentos médicos com informações sobre os pacientes, calçados com informações sobre o usuário.
Os objetos são utilizados como instrumentos de transmissão de informações, as quais são enviadas para enormes base de dados, que se utilizam de técnicas avançadas, tais como big datas que desenvolvem informações aos diferentes grupos.
E como trazer esses avanços para a população? A resposta são as cidades inteligentes. A dinâmica não é trivial e depende de esforços, investimentos e mudanças. A cultura da tomada de decisão com base em informações deve ultrapassar gestões e criar uma nova mentalidade dos gestores públicos, com visão holistica e de longo prazo.
Cabe à população exigir das lideranças propostas e projetos alinhados com as possibilidades de que a tecnologia proporciona. É inadmissível com a escassez dos recursos naturais, que a energia seja desperdiçada, quer seja numa iluminação que está acessa incorretamente, na falta de identificação de vazamentos ou no deslocamento desnecessário.

Devanildo Damião é mestre e doutor em gestão tecnológica – USP; coordenador do Núcleo PGT-USP e Coordenador do Núcleo Acadêmico e do Núcleo do Parque Tecnológico da Agende.

22/10/2014 às 00:00 - Atualizado em 22/10/2014 às 16:52

Devanildo Damião – devanildo@gmail.com

Talvez, o mais significativo instrumento de reconhecimento de avanços culturais e científicos para a sociedade seja o Prêmio Nobel, o qual é estruturado com base num conjunto de prêmios internacionais anuais concedidos em várias categorias por comitês suecos e noruegueses.
O Nobel teve início com a herança deixada pelo cientista Alfred Nobel que posteriormente foi organizada por meio de uma fundação.
O prêmio financeiro de 8 milhões de coroas suecas (US$ 1,1 milhão, ou perto de R$ 2,4 milhões) não é desprezível, mas o reconhecimento internacional tem um ganho imensurável.
Neste ano, na economia, o vencedor foi um francês, contrariando a tendência dos vencedores americanos. É o professor da Universidade de Toulose Jean Tirole, de 61 anos, por seu trabalho sobre o poder e regulação de mercado.
Ele esclareceu como entender e regular setores com algumas poucas empresas, os chamados oligopólios. Mercados concentrados em poucas empresas sem regulação, frequentemente produzem resultados sociais indesejáveis, tais como preços mais altos do que o dos outros, motivados por custos, ou empresas improdutivas que sobrevivem para bloquear a entrada de novas empresas mais produtivas.
Na medicina, os premiados apresentaram trabalho referente ao sistema neurológico humano. Os pesquisadores John O’Keefe, May-Britt Moser e Edvard Moser descobriram a existência de células que formam um sistema de posicionamento no cérebro humano bem mais avançados que os sistemas de posicionamento Global, os GPS.
Os pesquisadores japoneses Isamu Akasaki, Hiroshi Amano e Shuji Nakamura receberam o prêmio de física pela invenção de díodos de luz azul, que proporcionam uma fonte econômica de luz branca. Na química, foram laureados os cientistas Eric Betzig, Stefan Hell e William Moerner, por trabalhos que otimizam a capacidade dos microscópios a um novo patamar condizente com as nanopartículas.
Outro francês, o escritor Patrick Modiano, ganho o prêmio de literatura por conta da obra “da arte da memória com a qual evocou os destinos humanos mais inapreensíveis e jogou luz sobre a vida durante a ocupação”.
O indiano Kailash Satyarthi e a paquistanesa Malala Yousafzay ganharam o Nobel da Paz de 2014 “pela sua luta contra a supressão das crianças e jovens e pelo direito de todos à educação”.
Afora, as discussões sobre a politização do prêmio e eventuais injustiças cometidas, o Nobel foi criado para proporcionar condições confortáveis para que os cientistas possam efetivamente desenvolver os trabalhos, sem as inúmeras pressões políticas e financeiras.

Devanildo Damião é mestre e doutor em gestão tecnológica – USP; coordenador do Núcleo PGT-USP e Coordenador do Núcleo Acadêmico e do Núcleo do Parque Tecnológico da Agende.

15/10/2014 às 00:00 - Atualizado em 14/10/2014 às 20:33

Devanildo Damião – devanildo@gmail.com

O que é um ser vivo? Esta questão causa discussões nas diferentes áreas do conhecimento. No âmbito da biologia cognitiva, o ser vivo é aquele que possui condições de aprender; para tal, deve ter ciência de si (reconhecimento), em si (ambiente) e para si (objetivos).
Essa definição possibilita enquadrar as bactérias como seres vivos. São organismos compostos por uma única célula, completa e autônoma, oferecendo todas as condições para viver: genoma e estruturas celulares que produzem proteínas, abastecendo-as com energia. Esses organismos têm um metabolismo próprio e se multiplicam ao se dividir. Têm cerca de 1 mícron (ou seja, um milímetro dividido por mil).
O conhecimento a elas atribuido é justificado no fato de que determinadas drogas contrárias à vida (antibióticos) deixam de fazer efeito com o passar do tempo, tornando-se inócuas no tratamento de determinadas doenças.
A dedução simples é que as bactérias aprenderam a lidar com o inimigo e perpetuam este conhecimento para as futuras gerações.
Ao mesmo tempo, não se pode negar a importância das bactérias para a nossa vida. Por exemplo, no sistema digestivo existem milhões delas, permitindo processar a energia necessária para o organismo.
No que diz respeito aos vírus, eles são menores do que as bactérias e não têm estruturas celulares que produzem energia, proteína ou possibilitam a multiplicação. Mas, para o nosso azar, eles são estratégicos.Atuam para assumir o controle de outros organismos, pois não são células, mas partículas infecciosas, e são compostos, na sua grande maioria, por moléculas de ácido nucleico, envoltas numa camada proteica.
As doenças oriundas de vírus normalmente são controladas por vacinas que utilizam vírus inativos para que o corpo seja estimulado a produzir anticorpos. Ou seja, o próprio organismo irá coodenar o processo de cura e resistência da anomalia, visto que os mesmos não podem ser eliminados diretamente.
Confundi-los causa um grande transtorno para a saúde no mundo, devido à prescrição de maneira incorreta de antibióticos.
Esse fluxo permite que as bactérias aprendam a lidar com o inimigo e posteriormente sejam imunes aos medicamentos prescritos.
A perniciosa cultura das viroses, na qual alguns médicos usam e abusam do direito de prescrever antibióticos para tudo, no médio e longo prazo vai prejudicar o sistema imunológico das pessoas.
Essa cultura atinje a população de forma geral, que vê no antibiótico a resposta para todos os males. Na prática, essa ação oferece cursos intensivos para que as bactérias aprendam a lidar com os inimigos.
Os números são alarmantes. O consumo de antibióticos foi de US$ 40 bilhões no mundo e de US$ 1 bilhão no Brasil (2013). Para não perder a batalha, torna-se urgente reconhecer que o conhecimento não é atributo exclusivo dos homens e tratar o nosso organismo de forma sistêmica e inteligente.

Devanildo Damião é mestre e doutor em gestão tecnológica – USP; coordenador do Núcleo PGT-USP e Coordenador do Núcleo Acadêmico e do Núcleo do Parque Tecnológico da Agende.

08/10/2014 às 00:00 - Atualizado em 07/10/2014 às 20:13

Devanildo Damião – devanildo@gmail.com

A inovação tecnológica tem avanços rápidos, e quando a sociedade se apropria dela tendemos a não valorizar adequadamente seus benefícios. Alguns exemplos:
A telefonia móvel proporcionou ganhos imensuráveis no convívio pessoal, e fica difícil imaginar a vida sem ela.
Prestadores de serviços melhoraram significativamente seus negócios pela possibilidade de comunicação e incremento das condições de negociação. Hoje, a vendedora de salgadinhos já pode recebe pedidos via celular pré pago.
Outra tecnologia fantástica que merece registro é a internet. O desenvolvimento desta plataforma conectou o mundo todo.
A velocidade com que a informação se apresenta possibilita otimizar e organizar a nossa vida. Nos serviços públicos, diminui a burocracia e a corrupção. As redes sociais que se organizaram a partir dela modificaram o padrão de relações entre as pessoas, seja pela facilidade de acesso, seja pelo padrão de convívio que se estabeleceu.
As pessoas conseguem apresentar suas opiniões e tornar-se mais próximas umas das outras, compartilhando momentos e registros.
Outra inovação é o desenvolvimento de drogas farmacêuticas, que proporcionam melhorias na vida das pessoas. Cabe citar os medicamentos que prolongam a vida sexual das pessoas. Esse aspecto desperta questões interessantes sobre a longetividade dos casamentos e, sobretudo, a troca de afetividade, aproximando a família.
O computador pessoal foi revolucionário, a tecnologia da informação aumentou gigantescamente a produtividade das pessoas.
Este aumento permitiu uma grande evolução do conhecimento humano, possibilitando acesso quase ilimitado à informação de qualidade.
A dinâmica da tecnologia da informação e a internet, com os sites de busca, praticamente, excluíram a ignorância total sobre assuntos específicos.
Também as melhorias nos meios de transportes são emblemáticas. O desenvolvimento tecnológico permitiu que as pessoas façam deslocamentos de forma rápida e segura, permitindo a abertura de horizontes e o acesso aos produtos e serviços do mundo todo.
Existe ainda um espaço significativo para aplicação de tecnologias no Poder público, com os conceitos de cidades inteligentes.
Esses conceitos possibilitam mapear e identificar perfis da população e, com base nesta informação, oferecer benefícios específicos.
Isso sem contar os benefícios na mobilidade urbana e na saúde com medicina preventiva.
No Brasil, no entanto, ainda existe uma lacuna de provimento de acesso a todas as pessoas, visto que ainda estamos no patamar de 49% das casas com acesso à internet.

Devanildo Damião é mestre e doutor em gestão tecnológica – USP; coordenador do Núcleo PGT-USP e Coordenador do Núcleo Acadêmico e do Núcleo do Parque Tecnológico da Agende.

01/10/2014 às 00:00 - Atualizado em 30/09/2014 às 18:17

Devanildo Damião – devanildo@gmail.com

As leituras de sistemas de inovação envolvem observar o conjunto de organizações, arcabouço regulatório (leis e incentivos) e articulações existentes entre os participantes “atores” da academia, das empresas e do Poder Público.
O grau de articulação é o principal indicador da qualidade do mesmo, e os projetos, o produto da relação. No Brasil, nos últimos anos, o Sistema de Inovação teve fortes avanços, com o fortalecimento institucional e qualificação organizacional. O desdobramento migrou para os estados, que desenvolveram instrumentais para ciência, tecnologia e inovação, inclusive com leis específicas alinhadas com os recursos disponíveis.
Todavia, dada a existência de organizações avançadas, com competência e agregação dos melhores quadros, estas direcionam os rumos das pesquisas, enfraquecendo a condição de coordenação do Sistema, e por consequência impõe resistência em determinar os caminhos prioritários. Assim, abriu-se um gap de coordenação, o qual somente pode ser preenchido com instrumentos adequados, ou seja, recursos para estimular os esforços de pesquisa e desenvolvimento.
Como referência, o caso francês dos polos de competitividade torna-se uma ferramenta desejável, visto que permite a coordenação setorial e territorial da pesquisa. Este território é organizado pelo lado da demanda, com a articulação entre a academia e as empresas.
Observa-se visão similar no recente lançamento das plataformas de conhecimento pelo governo brasileiro, que adota como principal componente o atendimento de demandas de interesse do País em áreas consideradas estratégicas.
Para alcançar êxito, são impulsionadas as parcerias entre as principais instituições para articular o desenvolvimento científico e tecnológico em áreas de reconhecida importância, como saúde, energia e tecnologia da informação.
Dada a tradicional centralização da pesquisa no País, o desenvolvimento territorial não é prioridade, mas, sim, a excelência do desenvolvimento dos segmentos, aproveitando o estoque de conhecimentos já existente e provocando a importação de recursos humanos de qualidade.
Em escala setorial, processo parecido aconteceu com as empresas do setor farmacêutico no País, que foram impulsionadas a gerar conhecimento novo no segmento de biossimilares, os quais são medicamentos com células vivas, precisando para tal absorver conhecimentos externos e competências complementares que resultaram em consórcios de empresas do segmento.
Como adendo à discussão, cabe assinalar que talvez a iniciativa das plataformas ganharia maior densidade caso resultasse das discussões do código nacional de ciência, tecnologia e inovação, que ainda tramita sem a conclusão.

Devanildo Damião é mestre e doutor em gestão tecnológica – USP; coordenador do Núcleo PGT-USP e Coordenador do Núcleo Acadêmico e do Núcleo do Parque Tecnológico da Agende.

24/09/2014 às 00:00 - Atualizado em 24/09/2014 às 15:23

Devanildo Damião – devanildo@gmail.com

A revolução para a economia do conhecimento teve como marco a evolução da microeletrônica, que desenvolveu o poderoso e transversal segmento de TIC – Tecnologia da Informação e Comunicação.
Nos mais variados segmentos, os efeitos da informação e comunicação são sentidos, dando a falsa impressão de que a utilização já é universal.
Todavia, observa-se que o acesso à internet no Brasil está estabilizado a menos de 50% dos lares.
Como mostra o quadro abaixo, ainda existe um grande espaço a ser ocupado, que se acentua quando se compara o Brasil com países mais desenvolvidos, afora a qualidade inferior das nossas redes.
Os dados justificam o surgimento de programas públicos que acelerem o desenvolvimento do segmento no País. O poder público desenvolve metodologias para incentivar o setor, com leis específicas, como a Lei de Informática, que oferta condições tributárias mais confortáveis para as empresas, solicitando como contrapartida, o compromisso de investimentos em pesquisa e desenvolvimento.
Os esforços (contrapartidas) são permitidos em locais previamente reconhecidos como de competência técnica e administrativa, portanto, propícios ao desenvolvimento de projetos e pesquisas que alavanquem o segmento.
A Incubadora Tecnológica Agende Guarulhos tem atuado fortemente para qualificar os projetos de a base tecnológica na cidade. A abrangência envolve variados segmentos, dentre eles, o setor de TIC.
Neste mês, A Agende recebeu do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação a permissão para desenvolver, com empresas privadas, atividades de Pesquisa e Desenvolvimento.
Os investimentos das empresas na Incubadora serão aceitos pelos organismos tributários como despesas de Pesquisa e Desenvolvimento e representar a contrapartida obrigatória de empresas que gozam dos benefícios da Lei da Informática.
Portanto, o sistema de inovação da cidade ganha mais um importante instrumento que permite dinamizar a articulação entre os setores privados, públicos e acadêmicos. As empresas de TIC poderão viabilizar projetos que respondam as demandas de desenvolvimento e depois enquadrá-los como as despesas compulsórias que precisam demonstrar.
A experiência deve servir como a oportunidade de diversificar as fontes de receitas do projeto e capacitar as tecnologias de gestão que seguramente emergirão na pauta do Parque Tecnológico.
Também, incentiva o segmento de informática na cidade, que tem grande potencial de crescimento e precisa reencontrar o dinamismo de outrora.

Devanildo Damião é mestre e doutor em gestão tecnológica – USP; coordenador do Núcleo PGT-USP e Coordenador do Núcleo Acadêmico e do Núcleo do Parque Tecnológico da Agende.

17/09/2014 às 00:00 - Atualizado em 18/09/2014 às 08:58

Devanildo Damião – devanildo@gmail.com

Não existe descolamento entre as inovações e o perfil econômico do período e da localidade observada. Aliás, ressalte-se que, devido à dependência de aceitação do mercado, a inovação é obediente aos seus direcionamentos.
Historicamente, o período de domínio da agricultura como principal atividade econômica foi bastante extenso, e as inovações que surgiram decorriam da necessidade de melhorar a produtividade do homem no campo.
Os principais ativos eram o capital, a terra e o trabalho. Com a industrialização, as atividades de transformação se estabeleceram e a profusão de novidades aumentou, focadas na relação entre capital e trabalho.
A mecanização induziu a criação de componentes complexos com controles automáticos, para atender demandas crescentes decorrentes do aumento populacional. O transporte alavancou o desenvolvimento de cadeias baseadas em geração e transmissão de forças, formando verdadeiras plataformas para produtos inovadores.
Com o surgimento da microeletrônica, o cenário se alterou, incorporando a possibilidade de armazenar e processar informações em quantidades crescentes. O domínio desta ferrramenta possibilitou ampliar o impacto de aplicações, e ocorreu substituição de empresas e negócios.
Por exemplo, pense na indústria de discos de vinil, gravadores e CDs, em relação à transmissão virtuais de músicas e filmes. A velha locadora de filmes sucumbiu ao novo mercado. Para assistir algo, não precisamos de uma mídia física; basta um acesso para receber as informações.
Outro exemplo está relacionado ao mercado fotográfico. Existia uma cadeia bem definida de venda de equipamentos, filmes fotográficos e serviços de revelação (processo químico). Com a revolução digital, essa cadeia foi destruída, e até as máquinas fotográficas estão sendo substituídas pelas câmeras dos celulares.
Outros segmentos, estão em processos que afetam categorias tradicionais. Por exemplo, os taxistas. Existe nos EUA um debate sobre a legalidade de aplicativos que permitem articular pessoas para facilitar o compartilhamento de veículos particulares. As empresas do Vale do Sílicio – Uber e Lyft – foram comunicadas da ilegalidade, pois o modelo de negócios utilizado com base no conhecimento dos trajetos das pessoas envolve transportar de forma particular (motoristas contratados) grupos de indivíduos, violando normatizações existentes.
O desenvolvimento dos carros autônomos também deve gerar discussões acaloradas no futuro e afetar os motoristas, assim como a pílula de emagrecimento e de crescimento de cabelos deve afetar os centros de emagrecimentos e os fabricantes de perucas. Ou a vacina dental poderá afetar os profissionais de odontologia.

Devanildo Damião é mestre e doutor em gestão tecnológica – USP; coordenador do Núcleo PGT-USP e Coordenador do Núcleo Acadêmico e do Núcleo do Parque Tecnológico da Agende.

10/09/2014 às 00:00 - Atualizado em 10/09/2014 às 13:30

Os países que atualmente apresentam desenvolvimento econômico satisfatório têm em comum sistemas educacionais objetivando a melhoria de qualidade.
A Coréia do Sul, sempre é bom ressaltar, apresentava nos anos 70 indicadores de desenvolvimento bastante similares aos do Brasil.
Todavia, a partir do alicerce na educação, desenvolveu condições propiciadoras para tornar-se tecnologicamente bastante competitiva, como podemos comprovar pela excelência de sua indústria automobilística e de eletroeletrônicos.
A organização, como preceitua a boa literatura administrativa, precisa de meios efetivos de controle para avaliar a efetividade das ações e propor correções de rota.
O Brasil instituiu, a partir de 2007, o Ideb-Índice de Desenvolvimento da Educação Básica. É um indicador criado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) para medir a qualidade do ensino nas escolas públicas.
O objetivo do indicador é reunir num único índicador dois conceitos igualmente importantes para a qualidade da educação: fluxo escolar e médias de desempenho nas avaliações.
O indicador é calculado a partir dos dados sobre aprovação escolar, obtidos no Censo Escolar, e médias de desempenho nas avaliações do Inep: o Saeb (para as unidades da federação e para o País) e a Prova Brasil (para os municípios).
O Ideb, pela facilidade de entendimento, tornou-se uma excelente ferramenta para orientar os pais na escolha de qual escola matricular os filhos e também para estimulá-los a cobrar melhorias dos governantes e dos diretores das instituições.
Cabe ressaltar que o ensino público é bastante sensível à escala. Sistemas de ensino com grande número de alunos são mais complexos para gerenciamento da qualidade.
Guarulhos, apesar de ter a segunda maior rede municipal do Estado, apresenta melhorias contínuas nos indicadores, avançando de forma acelerada na qualidade de ensino, inclusive antecipando a conquista de resultados.
O município apresenta um programa arrojado de construção de Centros Educacionais Unificados, que oferecem acesso à cultura, artes e esporte num único ambiente, permitindo aumentar a qualidade de vida e os aspectos culturais da população.
De suma importância é a evolução dos padrões de qualidade. Eles permitem observar que os resultados são frutos de políticas públicas consistentes e que irão refletir na qualidade de mão de obra oferecida na cidade.

Devanildo Damião é mestre e doutor em gestão tecnológica – USP; coordenador do Núcleo PGT-USP e Coordenador do Núcleo Acadêmico e do Núcleo do Parque Tecnológico da Agende.

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